Seleção de Éguas


GENÉTICA: SAIBA PORQUE A ÉGUA É MAIS IMPORTANTE DO QUE O GARANHÃO

Em comparação ao numero de reprodutores, uma população maior de éguas é necessária para atender as exigências de produção destinada ao mercado de usuários do cavalo de lazer e do cavalo de esportes. Anualmente, um numero bem maior de éguas entra em reprodução. De fato, não mais do que 10 % dos machos nascidos anualmente já seria suficiente para atender o mercado representado pelos criadores, até porque o número de bons reprodutores é reduzido e a técnica de Inseminação Artificial favorece o acesso a um variado leque de reprodutores. Nota-se ainda no mercado que a procura por éguas parideiras vem diminuindo, ao contrario da procura de cavalos de sela. Mas por que não de éguas para sela? É simplesmente uma questão de quebrar tabus, pois montar em uma boa égua de marcha verdadeira é tão prazeiroso como montar em um bom cavalo de marcha verdadeira.

Geralmente, os criadores valorizam mais o garanhão. O principal argumento é ser responsável por um maior numero de produtos anuais. Em sistema de monta natural, um garanhão pode chegar a produzir até 50 filhos (as) por ano. Em regime de monta artificial este numero pode ser até dez vezes maior.

No caso da égua, mesmo através da técnica de transferencia de embriões, os incrementos no numero de produtos em cada estação de monta não são significativos. A média ainda é de três produtos. A explicação é que, ao contrario de outras fêmeas domésticas, os ovários da égua geralmente não respondem positivamente aos tratamentos hormonais objetivando a super-ovulação.

A contribuição genética transmitida ao filho (a) é igualmente dividida, sendo 50% do pai e 50% da mãe. O diferencial a favor da mãe é que esta tem a importante tarefa de nutrir o feto durante um período de, aproximadamente, onze meses. Em seguida, amamenta, protege e orienta a criação natural do filho (a) durante um período de, aproximadamente, cinco meses. Assim, o efeito da contribuição maternal eleva a contribuição total da égua para 55 a 60%, aproximadamente.

Inicialmente, a égua oferece proteção e nutrição ao feto durante a gestação. Posteriormente, ela oferece proteção e boas atitudes ao seu filho (a). Caso a égua gestante não seja adequadamente nutrida, em termos de valor protéico da dieta, o desenvolvimento fetal será prejudicado. Se a carência for de minerais, a formação óssea não será normal,  com reflexos negativos à estrutura e aprumos. Para tentar recuperar um potro (a) fragilizado durante sua vida intra-uterina, através de eficientes programas de nutrição, manejo de cascos e condicionamento físico, será necessário contratar consultoria profissional, especializada, a qual nem sempre estará disponível, e acessível ao criador. O estado clínico da égua gestante, o tamanho e a condição de seu útero também são fatores que influenciam o desenvolvimento fetal.

Se a égua lactante não recebe uma dieta balanceada, a produção de leite declina, afetando negativamente o desenvolvimento da cria. A égua é uma grande produtora de leite, sendo normais produções entre 15 a 18 litros de leite.

Contudo, a contribuição marcante ao futuro atlético da cria deriva do temperamento da égua. O potrinho (a) apresenta elevada capacidade para imitar atitudes maternais. Por exemplo, se a égua é de má índole, morde, escoiceia, como exemplos, estas atitudes podem ser assimiladas pelo filho (a). Se a égua tem temperamento inquieto, idem. Se a égua apresenta algum tipo de vicio, como refugar, empacar, empinar, dentre outros, o vicio também poderá ser assimilado pela cria. Se a égua é linfática, apresentando deslocamentos de pouca progressão, o potencial atlético futuro da cria será negativamente afetado. Um bom exemplo prático é a qualidade do bardôto em relação ao burro. O bardôto passa em torno de 6 meses ao lado da jumenta. Tende a assimilar de sua mãe os deslocamentos de baixa velocidade e pouca progressão, o temperamento linfático.

Muitos programas de transferencia de embriões não são bem sucedidos devido à má seleção de éguas receptoras. Estas podem influenciar negativamente a criação, quando são má produtoras de leite, ou no condicionamento mental, quando apresentam algum tipo de temperamento indesejável. O potencial genético que a égua doadora transmitiu à cria será mascarado.

Por tudo isto, podemos afirmar que o impacto da contribuição de uma égua, ao melhoramento genético do plantel, vai muito além de uma bagagem de genes a ser transmitida a cada filho (a).


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