O treinamento ocorre simultaneamente ao condicionamento. Partindo do ponto zero siga este cronograma:
1o mês - trabalhe os andamentos em velocidade lenta, perfazendo uma média entre 6 a 10 km/dia, durante 3 a 4 dias da semana, em uma velocidade média de 6 km/h;
2o mês - aumente a distância diária para uma média entre 10 a 16 km, sendo que ao final do periodo a velocidade poderá ser aumentada para 8 a 10 km/h;
3o mês - a distância pode ser aumentada para uma média entre 16 a 20 Km;
4o mês - a velocidade pode passar para uma média de 14 km/h, mantendo-se a distância anterior
Obs.: Todo este trabalho inicial deve ser conduzido em terreno de topografia plana a levemente ondulada, solo de consistência macia e moderada e textura suave.
5o mês em diante - o cavalo deve começar a ser preparado para enfrentar situações em regiões montanhosas. Um ou mais quilômetros morro acima, em velocidade lenta, é bem mais eficiente do que o dobro da distância em terreno plano.
Adote o treinamento intervalado, alternando trabalhos de alta e baixa intensidade, em seções de 10 a 15 minutos. O cavalo estará bem preparado quando conseguir manter normal a taxa de recuperação cardíaca após trabalho em terreno moderadamente acidentado, a uma velocidade média de 14 km/h, durante 2 horas e meia, aproximadamente. Alcançado este estágio, a frequência semanal de trabalho pode ser reduzida para 2 ou 3 dias. Para competições mais amenas, um cavalo estará bem condicionado com uma carga de trabalho equivalente a 15 km em uma hora, durante 4 dias da semana. Anote alguma dicas práticas:
- Execute exercícios em cada modalidade de andamento em linhas retas e curvilíneas, intercalando movimentos circulares com movimentos em serpentina e oito;
- O trabalho cadenciado, lento e com frequentes transições entre andamentos desenvolve solidez nos locomotores;
- Faça com que o cavalo aprenda a trabalhar sozinho, principalmente nas trilhas. Como animal de hábito gregário, o equino vicia com facilidade no trabalho em grupos;
- Ao longo do ultimo mês que antecede a primeira competição, comece a treinar simulando condições a serem confrontadas nas competições;
- Na ultima semana, antes do enduro, reduza a carga de trabalho em 40%, bem como o nível de ração concentrada na dieta. Compense a alimentação com feno de Coast Cross e de Alfafa, que também devem ser oferecidos durante o transporte e após a competição.
- Semanalmente, consulte e analise criticamente os minuciosos dados lançados diariamente na ficha do cavalo. Essa é a melhor maneira de serem evitados erros de avaliação da real condição competitiva do cavalo e do progresso alcançado.
- Não esqueça de seu próprio treinamento e condicionamento. O enduro não é uma atividade árdua apenas para o cavalo. Portanto, mantenha seu pêso e faça exercícios periódicos.
ESTRATÉGIAS GERAIS DE PREPARO DO CAVALO ENDURISTA
- Escolha acertadamente o cavalo adequado à prática do enduro. Compense eventuais deficiências (todos têm alguma) ao longo dos programas de condicionamento e treinamento. Se não há como compensar, troque de cavalo;
- Tenha rigor no manejo sanitário e nutricional;
- Anote em uma ficha tudo o que se sucede com o cavalo - taxas de recuperação cardíaca, pêso, tipo de suor, grau de dificuldades confrontadas, distâncias percorridas, tempo de trabalho, andamentos executados;
- Antes de iniciar o trabalho lembre-se de aquecer o cavalo durante 5 a 10 minutos ao passo, ou no redondel antes de montar. O aquecimento é necessário para ativar a circulação, oxigenar músculos e descongestionar articulações;
- Após o trabalho, lembre-se do desaquecimento, durante 5 a 10 minutos ao passo livre, para normalizar a circulação sanguínea e relaxar a musculatura. Se o cavalo pára repentinamente após um grande esforço físico, haverá um acúmulo de sangue pelo declínio da circulação, podendo resultar em câimbras, edema muscular ou congestão das articulações;
- Atenção para o manejo correto dos cascos - "Sem cascos, não há cavalo";
- No ultimo mês que antecede o enduro, procure simular condições de competição. |