Esta é mais uma página interativa com nossos visitantes. Todos que vivem o agradável meio da criação de cavalos, sabem como são curiosas e interessantes as conversas durante as visitas nos haras, ocasiões em que o plantel é apresentado. Cada proprietário tem a sua maneira própria de conduzir a apresentação, mas todos muito orgulhosos de seus animais. As conversas fluem naturalmente, sobre as visitas em outros criatórios, o manejo geral da criação, o mercado, os ancestrais de determinado animal, as premiações conquistadas, os julgamentos, se o árbitro errou, as próximas exposições, os preços em leilões, quem comprou, quem está criando bem, os iniciantes na criação, etc. etc..... Se voce tem um caso pitoresco, que ouviu ou relatou em uma destas "conversas de baia", favor enviar-nos. Teremos uma imensa satisfação em fazer o registro oficial.
Divertidas são as conversas sobre pelagens dos equinos, especialmente no nordeste. - Segundo relato de Ernane Gusmão, no livro O cavalo de Passeio, de sua autoria e Lúcio Sérgio de Andrade, os Árabes preferem a pelagem alazã. Uma história sobre Bem Dyab, famoso chefe do deserto, perseguido por ferrenhos adversários, perguntou ao filho:
- "Quais os cavalos que vêm na vanguarda do inimigo? " - "São os brancos", respondeu o mancebo - "Está bem, dirijamo-nos para o sol e eles se derreterão". Pouco depois, Bem Dyab interrogou de novo o seu rebento: - "E agora, quais são os cavalos que vêm em nosso encalço?"- "" São os negros", respondeu o jovem - "Pois bem, procuremos terreno pedregoso e nada teremos a temer!" Pela terceira vez Bem Dyab falou: - "Quais são aogra os cavalos que ponteiam?" E o filho de pronto respondeu: - "São os alazães tostados", "Sendo assim, retrucou o pai, apliquemos nossas pernas aos nossos cavalos pois esses, se bem alimentados, facilmente nos alcançarão."
- No adagio popular do caboclo nordestino, "cavalo alazão, burro quatralvo estrela e mulher faceira, o diabo que os queira".
- O animal tordilho clareia o tom do pelame à medida que avança em idade e alguns adquirem a pelagem vulgarmente conhecida como "ruço pedrez". Nesse ponto, o julgamento popular é impiedoso "cavalo ruço pedrez, para cangalha Deus o fez" Ao que respondem os admiradores: "Pra cangalha Deus o fez, mas enquanto compro um dos outros, desses ruços compro três".
- O cavalo baio, para muitos foros do sertão baiano - é tido como preguiçoso e possuidor de baixa resistência a longas jornadas. A esse respeito, contam os mais velhos que ao verem passar um cavaleiro indignado, com os arreios no ombro, perguntam-lhe sem pestanejar: "onde deixou-te o baio?" Mas a variedade de baio dita "sabaruna", algo parecida com o baio enerado, goza de excelente reputação no julgamento da gente simples do interior.
- O cavalo preto, especialmente o "andorinha", desfruta de conceito invejável, sendo considerado destemido, velos e resistente.
- O cavalo castanho, apesar de às vezes desprezado, tamanha a sua representatividade numérica, é tido e havido como "animal de fé". Dele se diz que: "o castanho, seja claro ou escuro, pisa no mole e no duro, e leva o dono no seguro".
- Animal execrado pela crendice popular é o rosilho. A este quase nada lhe perdoam, e se for bom sobre todo o mal que lhe imputarem, ainda dele dirão que "cavalo rosilho cansa atgé comendo milho".
- Embora apreciado por muitos, para muitos outros o "cavalo pampa só tem estampa".
- Quando o animal tem um posterior calçado, então não pode falhar. Assim ensina a própria tradição inglesa. Se é malacara ( frente aberta), a canção já está na boca do vulgo - "Meu cavalo malacara, tem andar de saracura, não tropeça e nem se espanta, viajando em noite escura".
- Se há apenas um sinal branco, é bom. Dois sinais, ainda melhor. Com tres, é pior ecom quatro um gato. Com cinco é um brinco e com seis é cavalo de reis.
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