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ACESSÓRIOS DE EQUITAÇÃO

Com o desenvolvimento da indústria eqüina foram lançados inúmeros acessórios , ou complementos, destinados à prática da equitação em suas várias modalidades - Hipismo Rural, Hipismo Clássico, Adestramento, Corridas, Pólo, Serviço. Estes acessórios são ajudas auxiliares aos comandos principais da equitação, os quais, sabemos, são as mãos, as pernas e o deslocamento do peso na sela. Alguns destes acessórios são imprescindíveis, em casos específicos. Contudo, existem muitas restrições. Caso estas limitações não forem de conhecimento dos equitadores, tanto o desempenho como o comportamento eqüino serão afetados.


Infelizmente, a literatura brasileira é bastante escassa em relação ao uso adequado destes acessórios de equitação. O que se observa no meio eqüestre brasileiro é uma rotina de violência e agressões contra a natureza do cavalo, com certos acessórios sendo utilizados meramente como meio de castigo desnecessário, ou em tentativas, geralmente frustadas, de uma correção artificial de eventuais defeitos de conformação que interferem na qualidade dos andamentos.


Na verdade, estes acessórios são utilizados com maior freqüência nas fases da doma racional e do treinamento para competições. A necessidade de seu uso pode estar associada às falhas durante aqueles fases ou, simplesmente, devido a uma equitação imprópria. Há uma idéia errônea de que com o mero uso de algum (s) acessório (s) de equitação, todo problema será resolvido rapidamente, Não é tão simples assim. A doma, o treinamento e, principalmente, a reeducação do eqüino, exigem muito tempo, paciência, sensibilidade e técnica.


Esporas


A espora é uma barra arredondada, ou achatada, de espessura entre 1,0 a 2,0 cm, que se encaixa no calcanhar, tendo um prolongamento na sua parte central, denominado de cão, ou papagaio. É a forma do cão que determina o tipo de ação da espora, mais branda ou mais severa. Se a espora tem um cão mocho, arredondado ou chato, sua ação é branda, servindo para o adestramento, concursos de marcha, saltos e outras atividades que exigem comandos mais discretos, suaves, com sensibilidade. Se o cão tem rosetas, porém sem pontas, e sendo giratórias, a espora será de ação moderada. Mas se a roseta é pontiaguda, perfurante, sendo fixa ou giratória, a espora terá ação severa, tornando a equitação violenta (ex.: rodeios e doma tradicional).


A função da espora é auxiliar e reforçar comandos derivados da pressão das pernas do cavaleiro. Seu uso torna-se necessário em cavalos de pouca sensibilidade e/ou cavalos linfáticos, sem "calor" para respostas mais precisas apenas com a pressão de pernas e toques de calcanhares. Mas cuidado, as esporas não devem ser aplicadas por pessoas inexperientes. Também não devem ser usadas de forma isolada, sem os comandos simultâneos das ajudas principais da equitação. A sutileza no uso das esporas está exatamente na sensibilidade do cavaleiro em perceber a facilidade das respostas do cavalo aos comandos de pernas. Caso haja necessidade de um aumento na velocidade dos andamentos, ou mais energia em manobras radicais, as esporas devem ser acionadas através de toques sutis e interruptos na região do Cilhadouro. Se o movimento desejado é o curvilíneo, apenas uma espora , do lado interno da curva, deve ser acionada, com toques contínuos entre a cilha e a barrigueira. Já no caso específico de uma manobra radical, com giro completo sobre o casco posterior, a espora pode atuar como ajuda auxiliar dos comandos de rédeas, que forçam o cavalo a movimentar seus anteriores, girando sobre o apoio de um caso posterior. Neste caso, que é o "spin", movimento bastante executado nas provas de maneabilidade, a espora atua pelo lado externo do giro, pressionando continuamente a região do Cilhadouro. Já no caso do movimento de "ladear", uma espora pode atuar entre a cilha e a barrigueira, no lado contrário ao da direção do movimento.


Em casos especiais, as esporas podem ser utilizadas como meio de punição das atitudes de mal comportamento. Mas cuidado, o uso impróprio das esporas desenvolve vícios graves de morder e escoicear. Qualquer que seja a punição, esta deve ser aplicada imediatamente após uma atitude de rebeldia. O bom senso sempre será o indicativo de uma tomada de decisão: Punir? De que forma? Mais branda? Mais severa?


Uma ótima recomendação é a de que as esporas somente devem ser usadas como um ultimo recurso, visando desenvolver respostas mais imediatas aos comandos de pernas. O correto é tentar o uso inicial da tala de equitação. Caso as esporas sejam utilizadas de imediato, o cavalo talvez desenvolva um certo medo contra a atuação das pernas do cavaleiro.

Talas


Uma tala é um chicote de equitação, conhecido como rebenque, sendo de forma arredondada, geralmente confeccionado em fibra revestida de couro ou nylon, tendo comprimento entre 60 a 120 cm. O cabo tem uma alça para o encaixe no pulso, tendo na ponta uma sola larga para facilitar a ação da tala. Ao contrário, os chicotes tradicionais, de lida, são brutos, geralmente com cabos de madeira roliça, com ponta longa de couro cru em tiras, ou tranças. Em alguns modelos, a ponta é uma correia fina, chamada de ponteira, tendo a função de estalar. Várias são as denominações regionais dos chicotes de lida, sendo popularmente conhecidos como relhos. O uso destes chicotes deve se restringir aos serviços de campo nas fazendas de pecuária.


A exemplo das esporas, as talas de equitação são acessórios de uso destinado a reforçar os comandos principais de mãos , assento e pernas do cavaleiro. Mas lembre-se, os efeitos serão positivos somente se a tala for aplicada simultaneamente àqueles comandos. Entretanto, o correto é utilizar primeiro a tala e, posteriormente, caso houver necessidade, as esporas, como foi dito anteriormente. Os cavalos briosos, árdegos, dispensam o uso de tala e, principalmente, de esporas.


Se o andamento executado é de velocidade baixa a média, a tala pode ser aplicada na tábua do pescoço. Mas se a velocidade desejada é alta (galope), a tala deve ser aplicada na garupa. Em casos específicos, como o movimento de ladear, a tala é aplicada na coxa contrária à direção do deslocamento. Se o movimento é o "spin", aplica-se a tala no lado no braço (do lado de fora do movimento). Já nos volteios entre balizas e tambores, a tala tanto pode ser aplicada no pescoço como na coxa (lado de dentro do movimento, buscando aumento da força de impulsão). Se o cavaleiro estiver montando com as duas mãos nas rédeas, não precisará soltar uma das mãos para aplicar a tala na garupa ou coxa, desde que a tala tenha pelo menos 1,20 m de comprimento.


Peitoral


É uma peça em couro que passa pelo peito do cavalo, prendendo-se nas duas laterais da armação da sela. Em alguns modelos, também se prende na cilha , passando por entre os membros anteriores. A principal função do peitoral é a de evitar que a sela se desloque para trás. A função secundaria é estética, para completar o arreamento, em especial nas cavalgadas de cunho festivo. Uma limitação do uso do peitoral é que, dependendo do material e do ajuste, poderá restringir os movimentos das Espáduas, Braços e Antebraços. O ideal é que o peitoral seja de luxo, com proteção de pelúcia.


Rabicho


É uma peça em couro que passa sob o sabugo da cauda, prendendo-se nas laterais da armação da sela. A sua função principal é a de evitar que a sela se desloque para a frente. A função secundária é também meramente de ordem estética, para complementar o arreamento. O rabicho, bem como o peitoral, é de uso mais freqüente nos muares e cavalos de serviço.


Gamarra (Martingal)

É uma peça em couro de três extremidades, sendo que duas prendem-se nos olhais da embocadura e a outra na cilha, tendo na sua parte central uma fivela para ajuste, A função da gamarra é a de controlar o posicionamento da cabeça. São comuns os problemas de cavalos que levantam excessivamente a cabeça. O ajuste da gamarra posiciona a cabeça na altura desejada. Sempre que o animal tentar erguer sua cabeça acima deste ponto será impedido, pela união das duas extremidades da gamarra com os olhais da embocadura. O cavalo sentirá a pressão nos pontos de controle da embocadura: barras, comissuras labiais, língua e palato. O problema do uso da gamarra é que em mitos casos não há correção definitiva. O problema geralmente volta. Ocorre que o ajuste é demasiadamente forçado no início (falta paciência na progressividade). Em outros casos, a musculatura da articulação cranial não está preparada para suportar flexionamento forçado. Em outras situações, é um defeito específico de conformação do pescoço (inversão) que impede um posicionamento mais baixo da cabeça.


Nos casos de animais muito sensíveis, a gamarra não deve ser ajustada nos olhais da embocadura, mas sim em uma argola do cabresto, sob o queixo. Uma outra maneira de utilizar a gamarra é ajustando-a nas rédeas. Neste caso, sua ação torna-se mais branda.


Berrante


Instrumento muito utilizado pelos condutores de boiadas, com o objetivo de "chamar" os bois. Pode ser considerado como um acessório de serviço, inserido na cultura de muitas regiões interioranas.

Outros acessórios de serviço


Um vaqueiro que se preze não sai de casa para o campo sem seu facão na cintura, faca e/ou canivete. Uma caixa de medicamentos para primeiros socorros também é imprescindível, sendo levada presa ao arreio, na sobre-aba ou por trás da patilha.

Trajes hípicos


Existe uma nítida diferença entre os trajes do Hipismo Clássico e os trajes do Hipismo Rural. No primeiro caso, o traje é composto por um culote de lycra, camisa branca de colarinho, casaca, botas de cano alto, capacete rígido com queixeira e as luvas (opcionais). Já na Equitação Rural, há mais flexibilidade na escolha, sendo indicado traje com calças tipo jeans, blusas esportivas de gola ou camisas tipo western (quadriculadas ou listradas), chapéu ou boné, bota ou botina.

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